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Entrevista com a fotógrafa Mel Gabardo

terça-feira, Fevereiro 26th, 2013

Da série 51 entrevistas com fotógrafos.

A entrevistada desta semana é fotógrafa de moda Mel Gabardo. Ela fala sobre o mundo fashion, dá dicas e demonstra ser uma grande profissional. Confira:

Mel Gabardo por Marcelo Andrade.

Quem é Mel Gabardo?
Desde sempre apaixonada por fotografia e que depois de anos numa profissão diferente, criou coragem e tornou-se fotógrafa profissional.

Você é fotógrafa de moda, porque optou por esta vertente?

Aconteceu! Queria fotografar still, mas descobri que adoro fotografar pessoas e não foi difícil a moda entrar na minha vida.

Foto: Mel Gabardo

Você decide a composição antes de começar a trabalhar com o modelo ou ajusta conforme o ensaio?
Já tenho as fotos na minha mente antes de começar o ensaio, mas nunca fica nisso… O ensaio tem vida própria e fluiu naturalmente.

O que você exige de uma modelo para as sua fotos?

Exijo cumplicidade, respeito e sinceridade! Sempre passo fotos de referencia e explico o ensaio com antecedência para os modelos, justamente para que na hora das fotos não exista nenhum constrangimento por parte do fotografado ou frustração da minha parte.

Foto: Mel Gabardo

E quando a modelo não é nem fotogênica e nem bem humorada?

Rezo! (risos)

Como deixar as modelos e manequins à vontade diante da câmera?

É um exercício que precisa ser feito antes de começar o ensaio. Na produção, conversar com a modelo, explicar a proposta das fotos, bater um papo descontraído, sempre de bom humor para que na hora de fotografar exista uma intimidade entre fotografa e modelo.

Foto: Mel Gabardo

Qual sua opinião sobre o uso de retoques digitais com programas como o Photoshop?

Acho necessário retocar pele, manchas e até uma gordurinha que apareça fora do lugar, mas não concordo, por exemplo, em modificar características físicas.

A tecnologia e o retoque digital reduzem a diferença entre profissionais e amadores?

Na minha concepção, a diferença entre amadores e profissionais esta apenas na forma de remuneração de um e de outro. Existem excelentes fotógrafos  amadores e nem “tão bons” profissionais. E em ambos os casos, tanto no profissional quanto no amador, o uso da tecnologia e do retoque digital é apenas mais uma ferramenta que esta aí a disposição de todos. O que realmente pode diferenciar um profissional de um amante da fotografia é a dedicação, o talento, o olhar…

Foto: Mel Gabardo

Como é sua equipe de colaboradores habituais? Assistentes, casting, maquiagem, produção, pós- produção, etc.

Tenho vários colaboradores, cada um com suas características e linguagens específicas. Escolho a equipe de acordo com a necessidade do trabalho. E também acho importante estar com pessoas diferentes em trabalhos diferentes. Isso sempre acrescenta em algo. Cada vez que alguém faz parte da minha equipe, por mais simples que seja a produção, aprendo algum truque novo.

Como está o mercado da fotografia de moda em Curitiba?

Sempre crescendo: muitos estilistas bons aparecendo, as marcas que já existem se fortalecendo no mercado e a cena da moda se consolidando e amadurecendo em Curitiba. E com isso, a fotografia de moda cresce também. São coisas intrínsecas.

Foto: Mel Gabardo

Você pode nos dizer sobre o seu processo criativo e técnico?
Estou sempre observando o que acontece a minha volta. Com isso, acabo acrescentando referencias e idéias ao meu “banco de imagens interno”. Faço anotações e rascunhos, e às vezes aquilo fica meses germinando, até que um dia, se encaixa em algum pedido de meus clientes ou se torna um ensaio autoral.

Qual é o único livro que você recomendaria que nossa comunidade deve ler por quê?

Um livro muito importante à respeito da fotografia no seu contexto social e histórico e ótimo para reflexão sobre o tema é “A Fotografia: Entre Documento e Arte Contemporânea”, de André Rouillé. Indispensável para se conhecer a historia da fotografia.

Foto: Mel Gabardo

Como as redes sociais podem ajudar, ou atrapalhar, um fotógrafo profissional?

A divulgação de trabalhos e a agilidade na comunicação com parceiros, colegas, clientes e o público consumidor é uma das grandes vantagens de estarmos em redes sociais. Por outro lado, a exposição destes mesmos trabalhos permite, às vezes, o uso indevido das imagens, a falta de crédito ou até mesmo que a modificação de imagens ocorra, o que não só atrapalha, como banaliza e desrespeita o trabalho realizado.

Qual o maior desafio em toda sua carreira até agora?

Tenho pouco tempo de estrada. Mesmo assim, já venho enfrentando alguns desafios. O maior deles tem sido algo que, infelizmente, hoje atinge todos que estão envolvidos em processos criativos: o respeito aos direitos autorais. Não podemos permitir que nossos trabalhos sejam publicados sem os devidos créditos, e recentemente passei por uma experiência muito desagradável. Mas tenho uma boa assessoria jurídica (risos).

Foto: Mel Gabardo

Qual a produção que você esteve envolvida que te deixou orgulhosa?

O ensaio que foi capa da revista Hot Rods de janeiro deste ano sem duvida me deixou orgulhosa. A produção para a foto estava toda pronta para acontecer em Curitiba, quando na véspera, por motivos pessoais, tive que viajar para Florianópolis. Meu prazo estava no limite e sai daqui sem nenhum contato naquela cidade: sem a modelo, sem o carro, ou sequer a locação definida. Mas estava decidida a fazer o ensaio. Já na estrada, pelo telefone, meu produtor executivo encontrou o carro que seria fotografado. O problema agora era só convencer os donos a trazê-lo de Blumenau até Florianópolis. Nas primeiras horas da manhã seguinte, da janela do hotel, avistei a locação. Estávamos hospedados bem próximos a marina e a mistura da modelo, do carro e do píer imediatamente se formou na minha mente. Meu produtor tentou que as fotos fossem feitas no iate clube, mas justamente naquele final de semana estava acontecendo uma grande regata e quando o Comodoro (manda–chuva local) soube que queríamos por um hot rod no meio do píer, cortou nosso embalo. Por sorte uma associação de pescadores ao lado do iate clube nos recebeu de braços abertos. Agora era achar a modelo. Pedi ajuda pelo Facebook – uma das vantagens das redes sociais – e recebi, de um amigo de São Paulo, a indicação da modelo. Depois foi conseguir maquiador, cabeleireiro, as autorizações para utilizar a locação, etc. E até que tudo se resolvesse, ouvi vários “nãos”. Houve até momentos que pensei em desistir. Mas no final tudo deu certo e o ensaio ficou incrível!

Foto: Mel Gabardo

Foto: Mel Gabardo

Existe alguma celebridade que você gostaria de realizar um ensaio? E como seria?

Existem várias celebridades que gostaria de fotografar e uma delas já esta na minha mira. Estou indo para Las Vegas daqui uns dias.Vou acompanhar a banda de meu noivo que fará uma turnê por lá e volto em abril com um editorial bem bacana.

Quem te inspira e como você encontra inspiração para as sessões fotográficas?

Tudo que vejo me inspira: filmes, fotos, clipes… uma locação, uma modelo… Qualquer coisa pode virar inspiração para um ensaio.

Foto: Mel Gabardo

Alguma técnica que você possa compartilhar com os leitores do site?

Tem uma luz que eu gosto muito. Com snoot… Uma luz mais dramática, concentrada e dura. Essa luz é linda para foto de beleza e em quase todos os ensaios eu a utilizo. (ver foto 1 e 2)

No estúdio o que mais importa, técnica ou visão?
Tudo tem sua importância. Técnica e olhar caminham juntos.

Foto: Mel Gabardo

Curitiba, Nova Iorque, Paris ou Milão?

Tanto faz. Qualquer lugar é lugar para fotografar.

Foto: Mel Gabardo

Foto: Mel Gabardo

Comments (2)

  1. Arnaldo Antunes
    Março 1st, 2013

    Parabéns pela escolha da entrevistada! Gostei muito!

  2. Victor Rodder
    Março 1st, 2013

    Lindas fotos, lindo trabalho,linda entrevista!!!!

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